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Por que é importante criar e praticar rituais de pensamento


São eles que seguram a nossa cabeça no lugar quando o bicho pega


Um dia futricando no Pinterest vi uma ilustração que dizia: “querer controlar os nossos pensamentos é como querer controlar as ondas do mar”. Era uma fonte bonita em cima de uma foto diferentona do oceano, lembro de ter achado bem convincente — mas não acho que essa frase seja verdade.


A mente precisa ser vigiada o tempo todo. Pode e deve ser controlada (por nós mesmos, claro). Ser um sentinela firme e atento faz toda diferença pra que a cabeça da gente seja um lugar agradável de se estar — do contrário, ela se torna um ambiente desenfreado que facinho nos leva pra espirais de dúvida, confusão e bagunça mesmo.


Um truque que sempre me ajuda a evitar que isso aconteça é ter caminhos pré-estabelecidos pra percorrer quando sinto determinados sentimentos ou quero manter minha mente vibrando numa frequência positiva. São basicamente rituais de pensamento que ajudam a direcionar o fluxo do meu raciocínio com agilidade e sutileza até que eu me sinta melhor. Por exemplo: se tenho muita dúvida a respeito de uma decisão importante que preciso tomar, já sei que ritual conduzir na minha mente pra chegar numa escolha com segurança. Se quero me sentir mais leve, mais segura, mais saudável, mais protegida — pra cada uma dessas necessidades, desenvolvi um ritual.


Nesse texto, compartilho os principais:


  • Quando preciso tomar uma decisão importante ou não tenho certeza sobre o caminho que estou seguindo


  • Quando o sentimento que eu sinto não é bom pra mim ou estou pronta pra sentir outra coisa


  • Quando me sinto ameaçada de alguma forma e quero fortalecer minha proteção física e espiritual


  • Quando vou viajar e quero mentalizar proteção e uma boa jornada


  • Quando eu sinto que meu corpo físico não tá 100% ou quero me proteger de uma doença


  • Quando eu sinto medo


  • Quando quero deixar a mente correr livre sem cair em pensamentos de baixa vibração


  • Quando bate o desespero


  • Quando me sinto plena e quero absorver bem a sensação de estar contente


Quando preciso tomar uma decisão importante ou não tenho certeza sobre o caminho que estou seguindo


Esse ritual quem me ensinou foi a terapeuta Ana Paula Kaliantra. Começo mentalizando um sol bem forte e amarelo no meu peito, no lugar do coração. Quando me conecto com ele, em seguida imagino uma linha de luz que sobe do peito para a cabeça, onde nasce um segundo sol dentro da minha mente. Quando essa conexão está firme, desço a linha na direção do meu útero, onde um terceiro sol nasce. Assim, tenho mente + coração + feminino alinhados.


Na sequência, visualizando os três sois pulsando fortes, ancoro meu pensamento no sol central, do coração, que também simboliza a pessoa que eu sou agora no momento presente. Em seguida, esse sol ilumina uma linha que sai das minhas costas para fora do meu corpo, onde outro sol nasce simbolizando a pessoa que eu já fui no passado. Quando essa conexão está feita, a linha horizontal que conecta o sol do passado e do presente sai do meu corpo para frente, onde um quinto sol nasce simbolizando a pessoa que eu serei no futuro — tudo isso com a linha vertical sempre "acesa".


Assim que visualizo e me conecto com os cinco sois acesos e alinhados, sei que a minha mente está em condições de pensar com clareza. Esse ritual geralmente me ajuda a colocar em perspectiva o momento que eu estou vivendo, a bagagem que eu tenho pra agir e onde eu quero chegar. Tudo isso considerando o raciocínio lógico (mente), o sentimento (coração) e a verdadeira essência do meu ser feminino (útero).


Quando o sentimento que eu sinto não é bom pra mim ou estou pronta pra sentir outra coisa


Nesses casos eu procuro demonstrar respeito pelo sentimento que estou sentindo, mesmo que ele seja negativo ou já não me seja mais útil. Com essa visão, entendo que não preciso eliminar o sentimento por completo — sei que ele veio me passar uma mensagem e agora, depois que ela foi entregue, posso transformá-lo no que eu realmente quero sentir.

Pra isso, faço um escaneamento completo de cada parte do meu corpo, começando pelos dedões do pé e subindo até o couro cabeludo. A cada centímetro, visualizo a cor violeta — que pra mim sempre aparece brilhosa, como um glitter. Essa é a cor da transmutação, também conhecida como "chama violeta" ou "raio violeta de Saint German". Ela potencializa a união do espírito com a matéria (corpo e alma) e purifica todo tipo de energia ruim.


Às vezes repito esse escaneamento de cima para baixo até sentir que fez efeito, ou imagino essa energia violeta em movimento pelo meu corpo, como se ela fosse uma correnteza num fluxo contínuo.


Quando me sinto ameaçada de alguma forma e quero fortalecer minha proteção física e espiritual


Antes de qualquer coisa, ancoro meu pensamento na noção de que o meu terceiro olho (que fica na testa) é o canal pelo qual eu emito minha energia com mais potência. Visualizo essa área como um canhão ou um farol, que abre um facho de luz amarela bem forte.

Assim que esse amarelo é canalizado, visualizo o facho de luz se redesenhando e voltando pra mim, envolvendo meu corpo todo num contorno amarelo, como uma bolha.


E então vou expandindo essa bolha: visualizo as pessoas que eu quero proteger com o terceiro olho delas “aceso”, pronto pra receber a minha proteção. Faço isso até sentir que o amarelo já está bem firme em volta do corpo de cada um, sempre retomando a visualização do meu terceiro olho como fonte de luz pra camada protetora.


Também dá pra fazer esse ritual de forma geográfica: o amarelo sai do meu corpo e vai pro meu quarto, depois pro restante da casa, até o bairro ou as regiões mais próximas. Vou abrindo a bolha e passando pela cidade, pelo estado, pelo país e pelo continente até envolver o planeta todo.


Quando eu tenho uma preocupação com uma pessoa específica que pode estar passando por um momento difícil, visualizo uma fumaça preta saindo do corpo dela, colocando tudo de negativo pra fora. Simultaneamente, a bolha amarela vai “selando” o caminho, impedindo que a fumaça volte e mantendo só a luz de amor que eu quero enviar para a pessoa dentro do campo dela.


Também pratico essa higiene energética da fumaça preta comigo mesma através da respiração: ao expirar, a fumaça preta sai levando tudo o que eu quero tirar de mim. Ao inspirar, trago pra dentro o que quero sentir.


Quando vou viajar e quero mentalizar proteção e uma boa jornada


Esse ritual também funciona quando a mentalização é direcionada pra outra pessoa. Geralmente visualizo o percurso completo da viagem: entrando no carro, depois olhando a paisagem através da janela enquanto estou na estrada e, por fim, entrando na garagem de casa sã e salva. Mentalizo isso com qualquer variação de transporte (ônibus, avião ou até uma caminhada mais longa) e às vezes com mais cenas dentro de cada percurso.


Outro ritual de pensamento pra essa finalidade é imaginar um túnel de luz desde o local de saída até o local da chegada, e o veículo percorrendo todo o trajeto dentro desse feixe de luz amarelo.


Quando eu sinto que meu corpo físico não tá 100% ou quero me proteger de uma doença


Em tempos de COVID, esse ritual vem a calhar com frequência — e justamente pra aliviar a pressão de me sentir saudável, construí ele de forma mais divertida.


Visualizo o sangue que corre no meu corpo e busco sentir ele percorrer cada centímetro de mim. Em seguida, identifico meus anticorpos no sangue — imaginando que eles se "destacam" na forma de bolinhas brancas. Assim que eu consigo enxergar as bolinhas pelo corpo, vou aproximando meu ângulo de visão delas como se estivesse fechando o zoom de uma câmera fotográfica. Quando chego bem pertinho, visualizo essas células com rostos e bracinhos, que seguram escudos e espadas como gladiadores.


E é como se eles estivessem mesmo prontos pra brigar — visualizo esses anticorpos dentro de mim brabos, musculosos, aguerridos. Estão todos focados na única tarefa que eles tem: vigiar tudo o que acontece na volta. E eu sinto que com esse exército de células brancas não tem adversário que possa ganhar de mim. Esse raciocínio me dá a sensação de ativar a proteção do meu corpo sem necessariamente colocá-lo em estresse.


Quando eu quero um ritual menos teatral e mais rápido, chego até a parte em que eu identifico as bolinhas brancas e visualizo elas vibrando e se mexendo, como se estivessem fortalecendo umas às outras com a força do próprio movimento.


Mais uma alternativa é fazer a mesma técnica do escaneamento violeta mencionada no segundo item da lista, mas com energia verde.


Quando eu sinto medo


O primeiro passo pro desenvolver o ritual de pensamento que eu uso nessas ocasiões foi ouvir uma meditação da terapeuta Clarissa Guelves. De forma envolvente e bem visual, o áudio dela nos conduz a visualizar nosso medo e nossa coragem como se fossem pessoas.

Fazer essa personalização é super interessante porque nos ajuda a entender que tipo de relação a gente tem com o nosso medo e a nossa coragem. Visualizamos eles como pessoas intimidadoras? Fortes, fracas? Ridículas?


Enxergá-los como realmente são (pelo menos dentro da nossa cabeça) nos ensina a respeitar os dois de forma equivalente. E mais — a estar em paz com o fato de que ambos têm seus momentos de conduzir nossa vida.


Com as figuras personificadas desses sentimentos, geralmente visualizo o medo ou a coragem junto comigo, na minha frente, e tento entender o que eles tão querendo fazer. Se querem conversar, me alertar sobre alguma coisa ou só marcar presença me avisando que estão ali.


Às vezes visualizo nós três parados ao lado de um carro no acostamento de uma estrada, discutindo sobre quem vai assumir o volante. Esse momento de interação com o sentimento abre espaço pra gente enxergar o que pode estar passando despercebido, e também contribui pro entendimento de que nós não somos os nossos sentimentos. Eu posso sentir medo e com respeito ouvir o que ele tem pra me dizer, mas eu não sou ele — e não preciso fazer o que ele quer.


Quando quero deixar a mente correr livre sem cair em pensamentos de baixa vibração


Pra isso, não tem nada melhor do que ouvir música. E pra fazer esse momento de forma inteligente, tenho dois passos: primeiro, a escolha da playlist. Todo mundo tem as suas preferências — aquelas músicas que nos fazem sentir sensual, introspectiva, concentrada ou nostálgica. Então essa escolha precisa ser consciente: saber que tipo de sentimentos aquelas músicas provocam e ir pra onde elas querem me levar propositalmente.


O segundo passo é pensar em quanto tempo esse momento vai durar. Sabendo que vou passar duas horas arrumando a casa e ouvindo música, consigo viver essa experiência com mais presença e evito desviar do caminho ao qual me propus. É basicamente evitar aquela sensação de que a música tá irritando e preciso de silêncio, que é algo que geralmente acontece quando a gente se mantém fazendo uma coisa que já poderia ter terminado. Fazendo isso, garanto que o momento termina da mesma forma que começou: positivo e com propósito.


Pra viajar nas good vibes meditativas minha playlist preferida é essa aqui.


Quando bate o desespero


Tem vezes que a gente simplesmente não consegue raciocinar o suficiente pra botar em prática um processo mental mais elaborado, visual, com início, meio e fim. Nos momentos da minha vida em que eu senti que não tinha forças pra controlar a minha mente mas queria que ela se mantivesse num lugar legal, o meu ritual foi rezar.

A grosso modo, rezar nada mais é do que repetir palavras até que a gente se sinta melhor. Ou seja: ninguém precisa ser católico nem saber o Santo Anjo decor pra aproveitar esse ritual. É assim que funciona o hoponopono ("entrego, aceito, confio e agradeço") e também os milhões de mantras em sânscrito (o famoso "om", entre tantos outros).

Dá pra escolher qualquer afirmação positiva ou criar a própria oração, composta de uma série de palavras que vai ajudar a mente a se ancorar no momento presente. "Estou segura no aqui e agora" é uma que funciona bem pra mim em qualquer situação. Dessa forma, mesmo que a gente não esteja conseguindo pensar muito sobre o que está repetindo, pouco a pouco vai absorvendo o significado delas.


Quando me sinto plena e quero absorver bem a sensação de estar contente


Esse é um ritual rapidinho — faço com o intuito de me assegurar que estou vivendo o momento com presença, expressando minha gratidão pro universo e retribuindo o amor de volta pra ele.


Fecho os olhos, respiro bem fundo e visualizo meu corpo todo se iluminando de luz branca, brilhante e forte. Essa luz sai dos meus pés, atravessando o chão e indo até o centro da Terra, no núcleo de tudo. E também sai por cima, pela minha cabeça, em direção ao campo unificado (na visualização, esse campo é como se fosse uma malha de luz branca ao redor do planeta).


O campo unificado é a fonte que "alimenta" as pessoas com energia de alta vibração. Ou seja, quando a gente precisa de força e orientação, é de lá que recebemos luz. Então nada mais justo que retribuir e fortalecer essa fonte quando a gente se sente bem o suficiente pra dividir o que tem.


Ao longo do tempo, esses rituais vão ficando mais automáticos e a gente vai aprendendo a fazer alterações que mantêm o processo interessante e eficaz. O que faz o ritual funcionar é acima de tudo curtir o processo mental que foi criado, então não adianta se forçar a cumprir aquela visualização do início ao fim se a gente não se sente envolvido — mas ter rituais de pensamento prontos pra botar em prática quando o bicho pega ajuda e muito a manter a cabeça no lugar.


 
 
 

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