Quero muitas coisas — e finalmente aprendi como identificar o que eu quero de verdade
- Dimitria Back Prochnow

- 12 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Fase 1: O mistério se revela — e pega forte
Ideias legais a gente tem aos montes. Possíveis projetos pra fazer com gente massa, aos mega montes. Hipóteses de futuro com estilos de vida emocionantes e personalizados, ao hiper mega blaster montes.
Pra saber se aquilo que passou pela minha cabeça é uma revelação ou uma sobrinha de criatividade, é aqui que começa — quando eu me pego como nessa ilustração acima.
Deitada, luzes apagadas, quartinho pronto pra noite de sono — e os olhos arregalados.
A cabeça a milhão.
Eu tento sossegar e não consigo. Escrevo a ideia no meu bloco de notas pra dar o sinal pro meu cérebro de que eu não vou esquecer daquilo, que eu posso dormir — mas não durmo.
Pelo contrário, me sinto despertar inteira: cada célula do corpo acesa, conectada, tudo dentro de mim se mexendo num caos organizado com uma só direção.
Imaginar como seria se aquilo fizesse parte da minha vida.
Fase 2: o mistério permanece — e continua interessante
Se tu é uma pessoa que quer muitas coisas, provavelmente já viveu centenas dessas fritações pré-sono. Ainda mais quando a playlist é boa, quando a gente teve um dia que nos mostrou que a gente pode mais, ou quando a gente tá muito puta e com sangue no olho pra fazer alguma coisa diferente.
Só que não é todo sonho de fritação que tem fôlego pra resistir a noite inteira e acordar bem disposto. Forte. Coerente. Ainda atraente.
Muitos deles, pela manhã, já estão meio desbotados.
Agora, se a manhã chegou e segue dando vontade de pensar naquilo…
Se passou um dia, e depois outro, e o apelo daquela ideia permanece…
É aqui que eu sei que aquilo é uma revelação.
Posso ainda não saber o que ela quer dizer, o que eu vou fazer com ela, pra onde eu direciono minha energia — mas já sei que não posso mais ignorar aquela ideia.
Fase 3: fuga das galinhas
Quando eu era criança amava esse filme. As galinhas tentavam fugir do galinheiro num movimento de motivação coletiva em que uma incentivava a outra a acreditar que sim, elas podiam voar por cima da cerca — embora nunca ninguém tivesse dito que era possível.
Não lembro muito bem do fim, mas guardei a narrativa de que elas não vão muito longe porque a asa da galinha não é feita pra grandes voos.
A fase 3 é o momento em que a gente se dá conta que aquilo é importante. Mesmo. E se pela de medo da nossa própria revelação.
A gente percebe que caiu uma ficha cósmica em neon apontando pra onde a gente tem que ir pra ser feliz — e o sinal é tão claro que a gente tem vontade de correr na direção oposta.
Por que, exatamente, não sei. Já lancei a braba aqui antes e aproveito a chance de relembrar: às vezes a gente acha que não merece ser feliz. Ou que pra ser feliz o caminho tem que ser difícil, criptografado, inalcançável.
Nunca um caminho claro, empolgante e estranhamente próximo como aquela revelação.
Eu sei que aquilo é algo importante pra mim, que eu quero de verdade, quando eu tento fugir.
E acabo me dando conta de que se eu for adiante com a fuga, outras áreas da minha vida vão começar a implodir porque eu arreguei de um sonho que era meu e que tava ali me convocando pra assumir a jornada.
Eu sei que quero algo de verdade quando não há vislumbre de futuro em que eu não vivenciei uma história relacionada àquele sonho.
Não dá pra saber se é uma história de sucesso, de fracasso, de romance, aventura, drama ou terror — mas essa é a graça. Se fosse tão fácil de antecipar alguém já tinha te contado como ia ser.
Mas como essa revelação pertence a ti… Não tem uma alma no mundo que pode te dizer o que tu deve fazer.
Só a tua.
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