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Se você entrega suas pérolas aos porcos, por que alguém vai confiar o próprio coração a você?

Atualizado: 16 de jul. de 2025

O que generosidade e compromisso tem a ver com o relacionamento a dois.





Entrei no Uber com uma batata, uma cenoura, o restinho do saco de arroz branco e uma dúvida mansa mas chata se eu não devia voltar e ficar em casa.


Já tinha passado das oito da noite daquela terça e eu fui, querendo ir mas internamente com o freio de mão puxado, fazer sopa na casa do meu namorado que estava com febre.

No meu coração, era lá com ele que eu queria estar. Era um gesto de carinho e cuidado — óbvio. Mas na minha cabeça, que me viu tirar o pijama e fechar o livro, que saiu do quentinho do meu sofá, uma vozinha dizia: "É sério isso?! Que ridícula."


Um tempo depois uma conhecida ficou noiva e postou nas redes sociais agradecendo ao então namorado pelo momento do pedido e dizendo que tinha sido a realização de um dos maiores sonhos da vida dela. Participei de uma conversa entre mulheres onde ela foi motivo de chacota pelo tanto de importância pública que deu a tudo aquilo.


Me encolhi e ri junto. Tenho quase certeza que alguém disse "É sério isso?! Que ridícula."

É só quando a gente tem a chance de viver um amor de verdade, desses que te convoca para mais e não aceita nada menos que o seu coração por inteiro, que a gente se dá conta da mesquinharia.


Da pequenez com a qual a sociedade como um todo se comporta dentro dos relacionamentos entre pessoas — especificamente o de casal.



Talvez o problema esteja no comportamento individual mesmo: na mesquinharia como estilo de vida onde ninguém se arrisca a plantar antes para colher depois.


E dá para culpar alguém que se resguarda em um mundo com tanto picareta? Com tanto homem sem envergadura pra assumir a sua família? Com tanta mulher emocionalmente infantilizada?


Culpar, dá. Mas o que a gente quer é resolver.


Se estivesse nas minhas mãos construir uma estratégia mundial para a valorização do relacionamento a dois, penso que eu começaria com o casamento entre generosidade e compromisso.


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Quanto você tem aí dentro, de amor, integridade e tesão pela vida, para compartilhar com o outro? Se você não sabe a resposta, nunca vai saber se está entregando muito para o que pode, pouco para o que pode ou na medida para o que pode.


Com que responsabilidade você zela pelo que tem a oferecer? Se você sabe que tem pérolas aí dentro e as entrega aos porcos, ninguém que reconhece o verdadeiro valor do amor vai confiar o próprio coração a você.


Você saberia dizer (ou sentir) o que o outro precisa fazer para ser digno de acessar esse tesouro? Se você não sabe a resposta, fica muito mais fácil se fechar para o mundo porque ninguém nunca é bom o suficiente e chamar o encolhimento de "incompatibilidade".


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Relacionar-se com generosidade é ter consciência do tamanho do seu tesouro e justamente por isso não ter medo de compartilhar as maiores pérolas do acervo com o outro. Porque de onde veio aquela, tem mais. E é aqui que entra o compromisso: na defesa voraz dessa generosidade. Na sentinela que protege o acesso a esse tesouro com escudos de merecimento e integridade. Sem elas, não passa.


O amor que constrói e é vivido com entrega generosa só acontece quando a sentinela está ligada. Consciente.


E, tranquila, abre passagem.


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Se quiser trocar uma ideia comigo, é só dar um alô pelo email dimitriaprochnow@gmail.com ou pelo Instagram @dimitriaprochnow

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