Uma mágoa antiga é como um caminho bifurcado
- Dimitria Back Prochnow

- 12 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Uma encruzilhada que se repete até que você escolha diferente.
Se você tem uma mágoa antiga no seu coração, sabe o que significa um caminho bifurcado.
Sabe o que é ser convidado pela vida, uma vez depois da outra, a escolher por onde você quer seguir. Ela pergunta:
“Estamos prontos hoje para perdoar? Podemos seguir em frente em amor e gratidão por tudo o que aconteceu e te fez ser quem hoje és? Ou ainda há necessidade de alimentar a raiva contida? Sentir e ressentir endurecendo o ódio frio no coração?”
Você engana a si mesmo com a ladainha de que ficou para trás. É mentira, você sabe. Sabe porque cada vez que por algum motivo a mágoa ressurge, é como entrar no mar em um dia de verão e pisar em algo estranho embaixo da areia. Você sente o seu corpo se retesar em um misto de nojo e medo e por mais que saiba que o mar é grande, que o dia está lindo, que tem muita alegria te esperando ali dentro, você pensa em sair da água.
Às vezes, sai mesmo.
E há outras vezes, você não pode negar, que você sente uma vontade enorme de perdoar. Que o mar se mostra mesmo tão grande e o azul do céu é tão lindo que os seus olhos se enchem de água em silêncio. O seu coração sente, por uma fração de segundo, a experiência de ser você sem aquele peso. Você vislumbra… “Tá tudo certo, não tá?” “Não seria melhor, muito melhor, soltar?”
Mas aí por algum motivo o ódio volta, de uniforme, botas pretas e apito na boca, dizendo: “como é que você tem coragem de fazer isso com a gente?”. Você se constrange. Por lealdade à versão de você que ficou lá atrás, engasgada e lesada, você se endurece de novo. E se molda um pouquinho mais à figura dela hoje, no aqui e agora, para mostrar que não a esqueceu.
Uma mágoa antiga é como um caminho bifurcado perpetuamente - porque até que você escolha o perdão, a vida não desiste de te perguntar. Você se irrita em ter que responder de novo, mas ela não quer nem saber. Segue te lembrando que a pergunta ainda está lá em aberto e não é para te machucar - mas para te dar a chance de escolher diferente.
Se você quer se libertar, precisa aceitar que o ódio é um vínculo. E quanto mais essa mágoa for alimentada com ressentimento, mais forte é o enlace que te costura naquele emaranhado.
Se você quer, mas não consegue perdoar, pergunte-se: o que você acha que vai perder no momento em que deixar o seu coração ser preenchido pelo amor? O que você acha que desrespeita dentro de si soltando toda a mágoa, todo o rancor?
Você pode acabar percebendo que a raiva, na verdade, não é do outro. É de si mesma. Por ter permitido que aquilo acontecesse.
Por não ter falado nada.
Por ter cruzado uma linha que você jamais cruzaria de novo.
Por ter apostado - e ter quebrado a cara.
Pare um minuto e observe o que se passa dentro de você agora.
Se você sente, por tudo o que é mais sagrado, que gostaria de se libertar desse vínculo.
Sim?
Então comprometa-se, aqui e agora, na privacidade do seu coração, a escolher diferente.
A suavizar o seu pensamento.
A se autorizar a soltar a espada.
A olhar para a pessoa que te feriu com a intenção genuína de perdoar - e, quem sabe, até amar. No sentido de reconhecer que aquela também é uma alma com um propósito e que se os seus caminhos se cruzaram, houve alguma forma de compatibilidade na lição a ser aprendida.
A vida só tem outorga para dissolver o que está cristalizado quando você permite, conscientemente, que o amor tome conta.
Afinal de contas, só o amor tem esse poder. De desconfigurar até a mais dura das carrancas e transformá-la novamente na face de alguém que erra, aprende, perdoa e ascende.
Se você é hoje, uma pessoa mais sábia, mais generosa, mais firme no seu propósito… A missão foi cumprida.
O ressentimento que sobra não tem serventia alguma a não ser reprimir a torrente de bênçãos querendo chegar, em honra e mérito pela sua entrega e transformação.
Abra o caminho.
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